LEVANDO AJUDA AO REFUGIADO (LAR)

O projeto Levando Ajuda ao Refugiado (LAR) nasceu como uma resposta às necessidades mais básicas e urgentes de refugiados e solicitantes de refúgio sírios em solo brasileiro, sobretudo na cidade de São Paulo. Seu objetivo é amparar essas pessoas e auxiliá-las em sua adaptação e inserção em nossa sociedade, proporcionando um ambiente de aprendizado e convivência que seja mais do que simplesmente um lugar seguro.

Através de algumas iniciativas, o projeto LAR tem assumido o compromisso de se envolver como parcela de solução para aqueles que estão sendo afetados por conflitos, atendendo a estes imigrantes que buscam abrigo e oferecendo-lhes esperança para conseguirem reconstruir seu lar neste novo país.

Sendo assim, o projeto LAR foi estruturado em cinco frentes de trabalho:

Curso de Português

larsalaA primeira barreira com a qual os refugiados sírios se deparam ao chegar ao Brasil é o idioma e é a que leva mais tempo para ser superada. Por isso, o projeto LAR iniciou o curso de português para refugiados como resposta a essa necessidade crescente e para a qual há poucas alternativas que sejam acessíveis a essas pessoas.

No início do projeto, as aulas eram ministradas a um pequeno grupo, mas, posteriormente, o número de alunos cresceu e formaram-se novas turmas para adultos e crianças. Em dezembro de 2014 a primeira turma atendida pelo projeto LAR terminou o nível básico e ingressou no nível intermediário, já estando aptos a conversas complexas e entrevistas de emprego.

Em 2015 foram iniciadas três novas turmas, totalizando quatro, todas ministradas na sede da Compassiva. Também existem famílias com crianças que precisam de ajuda para incluir seus filhos em escolas brasileiras. Estas crianças precisam de reforço escolar para conseguir superar a dificuldade com a língua portuguesa e acompanhar o conteúdo ensinado na escola.

O objetivo atual do projeto LAR é ampliar o número de salas para atender a todos os refugiados e solicitantes de refúgio sírios que estão na lista de espera para o curso (cerca de 160 pessoas). Esta não é uma tarefa simples: para que seja possível, necessitamos de apoio para cobrir os valores investidos em cada aluno (que incluem material de estudos e transporte dos próprios alunos), além de voluntários comprometidos em apoiar o projeto de diversas maneiras.

Assistência Jurídica

Embora o Brasil tenha se tornado o país que mais recebe refugiados sírios na América Latina (Fonte: ACNUR), desburocratizando a emissão de vistos para cidadãos dessa nacionalidade, o processo de regularização de documentos pode levar meses para ser concluído.

Os refugiados e solicitantes de refúgio têm direito de solicitar CPF, Carteira de Trabalho e de abrir contas bancárias, porém, tudo isso depende da emissão do protocolo de solicitação de refúgio e do próprio Registro Nacional de Estrangeiro (RNE) que, com o aumento da demanda, tem levado mais tempo para ser feita. Além disso, outro problema que enfrentam os novos imigrantes é a dificuldade em se comunicar com os agentes da Polícia Federal, responsáveis pela recepção e aprovação dos pedidos de refúgios.

Considerando que os solicitantes não dominam a língua portuguesa e que a maioria desses profissionais federais não fala inglês, o trabalho de tradução durante as entrevistas que fazem parte do processo acabam dependendo de intérpretes voluntários, nem sempre disponíveis.

Sendo assim, é preciso criar meios de descentralizar este processo de regularização de documentos, permitindo aos refugiados se registrarem em outras delegacias da Polícia Federal. Em parte, isto depende da criação de novas políticas públicas e da mudança na burocracia, portanto, dos gestores públicos. Por outro lado, o projeto LAR também se propõe a facilitar o processo de regularização de documentos agindo, de forma independente ou em conjunto com casas de acolhida e outras ONGs, na orientação quanto aos procedimentos necessários e acompanhamento dos solicitantes de refúgio até a Polícia Federal e participando de encontros, palestras e outras reuniões da sociedade civil voltadas para a melhoria na prestação desses serviços públicos.

Trabalho

lartrabUma das principais demandas dos refugiados é a conquista de empregos que proporcionem estabilidade e independência financeira em nosso país.

Boa parte dos sírios que chegam ao Brasil já possuem diplomas e qualificação profissional, no entanto, se deparam com barreiras que impedem a sua inserção no mercado de trabalho brasileiro.

A primeira delas é o a dificuldade com o idioma, mas, à medida que avançam no curso gratuito de língua portuguesa, tal barreira vai sendo derrubada e caminhos para novas oportunidades vão surgindo.

O LAR auxilia os refugiados a encontrarem empregos que estejam de acordo com suas qualificações, e para que empresas tomem conhecimento destes profissionais disponíveis. Entre as principais atividades realizadas pelo projeto nesta questão estão: tradução de currículos, cadastro em sistemas de recrutamento online, busca por vagas e interlocução com possíveis empregadores.

Amparo

larampAlém da independência financeira e da superação do idioma, o cuidado dedicado aos refugiados sírios pelo LAR abrange também, senão principalmente, sua inserção e integração na sociedade brasileira tendo em vista aspectos que proporcionam seu bem-estar físico e emocional. Sendo assim, o projeto criou uma equipe de “Amparo”, responsável por, basicamente, quatro necessidades básicas: saúde, alimentação, moradia e integração social.

No que diz respeito à área da saúde, o LAR auxilia os refugiados quanto ao cadastro e utilização do SUS (Sistema Único de Saúde) e no acompanhamento e cuidado especial de mulheres grávidas durante a gestação. Também realizamos mutirões de saúde com atendimento gratuito de médicos voluntários de diversas especialidades. Uma de nossas necessidades, no momento, é o apoio de profissionais em psicologia que prestem acompanhamento às famílias, identificando possíveis casos de estresse pós-traumático, resultado de situações vividas durante conflitos em seu país de origem.

O LAR também oferece doações de cestas-básicas às famílias com maiores necessidades. Nossa meta é oferecer 10 cestas básicas por mês. Além disso, auxiliamos na busca por moradia para essas famílias, um processo extremamente complicado, pois enfrenta obstáculos burocráticos desde a abertura de contas bancárias até a assinatura do contrato de locação de imóveis.

Por fim, o projeto oferece suporte para a inserção social e cultural dos refugiados na comunidade brasileira.  Nesse processo, ajudamos as famílias a se cadastrarem em programas sociais dos governos municipal, estadual e federal (Bolsa Família, por exemplo) e temos desenvolvido um programa básico sobre história, cultura e povo brasileiros a fim de auxiliar em seu aprendizado sobre nosso país e facilitar sua adaptação cultural. Promovemos, ainda, passeios e eventos externos como uma oportunidade de lazer e descontração para as famílias, reforçando a importância do envolvimento, interação e construção de relacionamentos entre os refugiados e os voluntários, estes que são, muitas vezes, os primeiros laços criados pelos sírios com o nosso país.

Casa de Acolhida – Beit El Émel (Casa da Esperança)

A cidade de São Paulo conta com casas de acolhida para imigrantes e albergues municipais, mas a demanda por moradia para refugiados é muito maior do que a oferta e esses espaços, muitas vezes, não estão preparados para receber famílias, muito menos estrangeiros.

Por esse motivo, o Projeto LAR pretende abrir a “Beit El Émel” (ou Casa da Esperança), uma casa de acolhida que servirá para receber famílias refugiadas que chegarem sem destino certo: aqueles mais necessitados, que chegam sem parentes ou conhecidos aqui que possam ajudá-los. Este ainda é um projeto em fase de concepção, mas que possui uma enorme relevância. Enquanto se hospedam na casa de acolhida, os refugiados poderão dar início ao processo de regularização da documentação, aulas de língua portuguesa e busca por emprego, junto às outras frentes de trabalho do LAR.

Horário das atividades:

Aulas de Português (noite): Segunda, Quarta e Sexta-feira das 18h30 às 20h.
Aulas de Português para Mulheres (manhã): Segunda e Sexta-feira das 9h30 às 11h.

Coordenação:

Carolina Selles – lar@compassiva.org.br

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